GRUPO 2 - MATUTINO

 

Grupo 2

Christian Romano, Deyse Lima, Gabrielle Nascimento e Janaina Farias



Recursos textuais: Coesão e coerência.

Tema proposto: O modernismo e as mudanças estéticas e temáticas na literatura brasileira


                     “Minha obra toda badala assim: Brasileiros, chegou a hora de realizar o Brasil”.

                                                                                                                     Mário de Andrade




O modernismo surgiu no século XX com o objetivo de promover a reformulação da literatura, tendo como principal foco o rompimento com o tradicionalismo ainda herdado do século XIX. Essa literatura tradicional tinha fortes traços, principalmente, do parnasianismo que representava os valores clássicos. Em oposição às velhas estruturas da literatura convencional, os autores modernistas tencionavam por uma literatura livre, sem o rebuscamento do vocabulário, assim, eles poderiam conciliar palavras de diversas regiões do país, em busca da identidade brasileira, seguindo a aspiração de um “redescobrimento” do Brasil. Os principais representantes da primeira geração modernista foram os autores Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Manuel Bandeira. Suas obras apresentam linguagem coloquial livre de palavras cultas, expressões populares, e sem obrigações de métricas tradicionais. A segunda geração apresenta caráter social, destacando, principalmente, o regionalismo nordestino, evidenciando suas adversidades. Os principais autores, na prosa, foram Jorge Amado, Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz e José Lins do Rego, e Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meireles na poesia. Já na terceira geração, com as autoras Clarice Lispector e Lygia Fagundes Telles, houve o aprofundamento do teor psicológico das personagens, inovando as técnicas narrativas. 


A literatura vai de encontro com as mudanças sociais e políticas ocorridas no mundo. Antes, a escrita focava no mundo místico e fantasioso, utilizando-se de linguagem simbólica. Já no movimento modernista, houve a necessidade de enxergar a realidade, e mais do que enxergar, escrever sobre os problemas vigentes como forma de crítica a um país que insistia em esconder as contrariedades da vida cotidiana. 

João Luiz Lafetá declara que o modernismo foi formado por meio de dois âmbitos: estético e ideológico. Na primeira geração modernista, no que se concerne ao campo estético, a linguagem sofreu grandes alterações devido à ruptura com a escrita tradicional, ou seja, o corte da linguagem erudita, que, de certa forma, não democratizava a leitura a todos os públicos. Com o objetivo de aproximar leitor e escritor, os autores modernistas coordenados pelo escritor Mário de Andrade, diversificaram a forma de suas escritas atribuindo expressões populares oriundas de diversas regiões do Brasil. Essa linguagem social foi utilizada por Andrade na obra Macunaíma, na qual há diversas manifestações de gírias brasileiras, forte referência do folclore e de lendas indígenas. O personagem Macunaíma, intitulado de herói sem nenhum caráter, transita entre diferentes culturas, crenças, raças e regiões brasileiras, mostrando, assim, um Brasil heterogêneo, e, dessa forma, também exibe o projeto ideológico do modernismo, que foi o resgate das raízes brasileiras, a busca incessante pelo nacional, algo próprio.

Em relação a segunda geração modernista, houve a distorção de alguns símbolos nacionais provocada pelos conflitos sociais vigentes da época. Os autores viam-se atribuídos a exibir a realidade em sua forma mais pura e grotesca, justificando-as em forma de críticas a um país em que a modernidade só era visível até certos estados. Graciliano Ramos, escritor e representante dessa geração, na obra Vidas Secas, exerce essa desfiguração. O romance narra a história de uma família de retirantes do sertão nordestino e descreve as dificuldades que eles enfrentam. A natureza, que no Romantismo era extremamente idealizada e prestigiada por sua exuberância, na obra de Ramos, ela é descrita como algo sem vida, tudo o que exibe são galhos secos. O mesmo acontece com as cores, o verde cede lugar ao amarelo, corroborando na descrição de um ambiente desértico e seco, no qual é impossível um ser humano viver naquele lugar.


Referências: 

ANDRADE, L. E. S. Uma nação deformada em Vidas secas. Guará, Goiânia, v. 3, p. 99-109, jan./dez. 2013. Disponível em: http://seer.pucgoias.edu.br/index.php/guara/article/download/3072/1871. Acesso em: 15 out. 2021.

BRESSAN,L. L. “Cobra Norato”, uma investida modernista na (re)criação da linguagem. Revista Linguagem em (Dis)curso, Santa Catarina: Unisul, v. 1, n. 2, jan./jun. 2001. Disponível em: https://core.ac.uk/download/pdf/300480924.pdf. Acesso em: 20 out. 2021.

MADEIRA, M. S; COELHO, S. R. A linguagem no discurso de Macunaíma. Cadernos do CNLF, Rio de Janeiro: CiFEFiL, v. 15, n. 5, p. 174-183, 2011. Disponível em: http://www.filologia.org.br/xv_cnlf/tex_completos/a_linguagem_no_discurso_de_MONICA_SIMONY.pdf. Acesso em: 19 out. 2021.

FABRIS, A. Modernidade e modernismo no Brasil. 2. Ed. Porto Alegre: Zouk, 2010.

Comentários

  1. Grupo 3 (Matutino): Ana Luiza Lima, Júlia Galvão, Marina Nogueira, Victoria Carvalho.
    O modernismo transformou a literatura brasileira, porque quebrava padrões antigos e cada autor era livre para produzir do jeito que achasse melhor, tornando as criações diferentes das demais escolas literárias, como por exemplo, Macunaíma. Até hoje, vemos essas características em filmes, livros e séries, tal como na recente produção da Netflix, Cidade Invisível, que assim como na obra de Mário de Andrade, traz o folclore em uma perspectiva diferente e de certa forma nos influenciam a querer saber mais sobre essas histórias do Brasil.

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