GRUPO 3 - MATUTINO
Literatura
e Ditadura: Resistência e Exercício de memória
Por:
Ana Luiza Lima Carvalho; Julia Galvão, Marina Nogueira e Victória Carvalho.
Sabemos que a literatura retrata o
contexto histórico em que está inserida, no período da ditadura isso não mudou.
A única diferença foi que durante essa época a censura teve grande impacto na
vida dos escritores, fazendo com que estes não pudessem se expressar da forma
que desejavam, e aqueles que se arriscavam a se opor ao regime eram procurados,
torturados ou exilados.
E, para o post de hoje, resolvemos
trazer alguns autores que acabaram sendo punidos por representarem através de
suas obras, resistência ao regime militar.
1. Euclides
da Cunha
Ainda que não tenha sido escrito durante a ditadura, como as várias obras que foram apreendidas, o livro Os Sertões do autor Euclides da Cunha foi censurado por apresentar ideias que iam contra a ideologia do regime militar. A obra aborda a Guerra de Canudos, um massacre sangrento que acontece no sertão baiano e acabou tirando a vida de muitos civis.
Euclides da Cunha morreu em 1909 na cidade do Rio de Janeiro. O autor faleceu após tentar matar o amante de sua esposa, porém, acabou resultando em uma grande tragédia, pois Euclides foi assassinado por este.
2. Érico Veríssimo
Incidente em Antares foi publicado em 1971. Tendo como estilo o Realismo Fantástico, o livro faz uma denuncia as mazelas sociais e, principalmente, critica o regime autoritário presente no Brasil. A história se passa na cidade fictícia de Antares, localizada no sul do país, alguns meses antes do golpe militar acontecer, os trabalhadores locais entram em greve em busca de um salário melhor, e, ao mesmo tempo, sete pessoas morrem, uma delas é a matriarca de uma das famílias mais importantes da cidade. Porém, eles acordam e percebem que não foram enterrados, então começam a contar todos os segredos que os moradores escondem na praça. Com isso, vem as críticas à sociedade e ao momento político do Brasil. Em 1994, a obra de Érico Veríssimo foi adaptada para o cinema, contando com atores como Alexandre Borges, Betty Faria, Nicette Bruno e Paulo Betti no elenco.
3. Jorge Amado
Entre muitas de suas obras publicadas na época da ditadura, a que mais desagradou os líderes do regime foi seu famoso livro Cacau, onde este conta a história dos trabalhadores em fazendas de cacau do sul da Bahia, na década de 1930, abordou a expansão das ideias socialistas e a luta de classes sociais no mundo dos trabalhadores do cacau.
Assim como vários outros autores da época que estavam associados ao movimento comunista, o autor viu seu romance ser censurado por policiais. Porém, mesmo assim seu livro foi publicado e aclamado pela crítica. Jorge Amado foi exilado na Argentina por um tempo, e entre os anos de 1936 e 37 foi preso por se opor ao Regime do Estado Novo. O autor morreu em 2001, em sua terra natal, Bahia.
4. Carlos Drummond de Andrade
As transformações do País e os posicionamentos de Carlos Drummond de Andrade quanto à ditadura estão documentados no diário editado em O observador no escritório, sobretudo nos fragmentos redigidos em 1944 e 1945. Nesses textos, é explícito o movimento de independência crescente de Carlos em relação a outros movimentos oposicionistas. Fica claro também que a aversão de Drummond estendia a todo tipo de ditadura, conforme o texto de 14 de dezembro de 1968, de O observador no escritório.
É possível sentir, ao menos em linguagem, a opressão do Estado Novo em poemas de Carlos Drummond de Andrade, especialmente em seus livros Sentimento do Mundo (1942) e A Rosa do Povo (1945).
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