GRUPO 2 - NOTURNO
Recursos Textuais: Coesão e coerência.
Tema proposto: Literatura e ditadura: resistência e exercício de memória.
A literatura vem sendo moldada ao longo dos anos como um espaço de resistência. É evidente desde o início das escolas literárias até os tempos atuais, que a literatura desafiou diversos moldes étnicos e culturais, gerou impacto na sociedade, deu visibilidade às minorias, criou espaços socioculturais, quebrou padrões normativos da língua e contrariou a censura.
Nos anos 60, a censura da ditadura militar deu limite à criação artística e circulação de informações do interesse de todos. A repressão foi rígida com programas de TV e rádio, assim como de textos e montagens teatrais.
Em época de ditadura militar no Brasil, conseguimos enxergar certa dificuldade na liberdade artística da literatura, foi um período devastador que gerou ódio, perseguições e mortes. Deste modo, muitos escritores ainda lutaram pela literatura, como ato de resistência e militância.
A ditadura não afetou somente a literatura, mas o Brasil na totalidade. Ouvimos um relato de uma aluna do grupo, que fala sobre como a ditadura deixou traumas em sua família:
“Mato tem olho e parede tem ouvido”, ouvi essas palavras durante toda a minha vida, de uma mãe criada em plena ditadura. Meu avô materno, não deixava ninguém falar muito em casa porque alguém, conhecido ou não, poderia ouvir e delatar às autoridades e a família ficar em “maus lençóis”, eles moravam no interior da Paraíba. Minha família materna não participou de nenhuma militância, mas era proibido falar do governo. Então assunto nenhum era discutido em casa para não serem mal interpretados. Minha mãe sempre falou alto, mas não suporta quem fala alto perto dela, resquícios psicológicos que ela tem da ditadura, mas que ela nem sabe que tem, e fazer comentário sobre qualquer assunto a faz ficar estressada e com medo de alguém ouvir. O “perigo” podia não existir, porém, para ela até hoje existe, tamanho foi seu trauma.
A liberdade de expressão é o direito essencial da democracia. Se o cidadão não pode falar o que está errado no governo para ele mudar, mesmo que seja através de terceiros, como a imprensa, por exemplo, como as massas expressarão seu descontentamento? Viveremos em um lugar onde alguém manda e os outros abaixam a cabeça.
O mais interessante, é que a história se repete toda vez que o país faz algo pelas pessoas que vivem às margens da sociedade, dando-lhes um lugar melhor, há um golpe militar para acabar com isso, aconteceu no Brasil, com o Presidente Getúlio Vargas através de seu Ministro do trabalho João Goulart, o Jango que andava sempre junto às pessoas da periferia, aconteceu na Argentina, quando Juan Perón, através de sua primeira-dama Evita Perón, e atualmente, essa espada paira sobre nossos pescoços, quando em um passado recente, nós da periferia fomos vistos e direitos foram garantidos.
A censura sobre a literatura, jornais e rádio foi severa sobre eles. “Textos que se filiam ao realismo dito mágico e que, através de um discurso metafórico e de lógica onírica, pretendem, crítica e disfarçadamente, dramatizar situações passíveis de censura” e na segunda “os romances-reportagem, cuja intenção fundamental é a de retirar a ficção do texto literário e com isso influir, com contundência, no processo de revelação do real”. (SANTIAGO, 1982: 52).
Não foi fácil para eles resistirem e continuar publicando protestos metafóricos. Muitas pessoas que eram estudantes ávidos por mudanças na política, sucumbiram ao dinheiro e prestígio que o militarismo lhes ofereceu, o mesmo aconteceu com jornais. Arriscar ser preso, morto e torturado, fez com que eles desistissem.
A literatura denuncia a ditadura e quanto mais minucioso fosse, melhor. Enquanto faz o leitor pensar na violência da época e a tortura, por exemplo, conta-lhe uma história. Veja um trecho do livro de Sérgio Sant’Anna em Confissões de Ralfo:
“ – Cite outras datas e respectivos acontecimentos.
– 1587: Sir Francis Drake destrói a frota espanhola no porto de Cádiz; abril de 1665, a Grande Praga em Londres; 7 de outubro de 1870, Leon Gambetta, em um balão dirigível, escapa de Paris sitiada, para prosseguir na guerra contra a Prússia; 18 de dezembro de 1865, a escravatura é abolida nos Estados Unidos; 2 de maio de 1885, o Estado Livre do Congo é fundado por Leopoldo II, rei da Bélgica; 1o de outubro de 1936, o Generalíssimo Franco é nomeado chefe do governo espanhol; 6 de agosto de 1945, a primeira bomba atômica é lançada em Hiroshima; 30 de outubro de 1941… Duas chibatadas por aborrecer-nos com tantas datas.
– E o que aconteceu em 1584?
– ?
Uma chibatada por não lembrar-se do que aconteceu em 1584.” (SANT’ANNA, 1995: 122-123)
Esse era o retrato da literatura brasileira, reprimida, censurada, odiada. Sem literatura não temos história.
A literatura que conta a ditadura em seus detalhes, sob a ótica das testemunhas, só foram publicadas após a queda da ditadura. A ficção durante a ditadura foi muito pouco, pois logo foram “reprovadas” pelo regime.
Bernardo Kucinski fala em uma entrevista ao canal SescTV, em 12 de abr. de 2016, que precisamos sempre falar sobre isso, e jamais esquecer, para que não volte a se repetir. O Brasil não precisa passar por outro calvário.
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