GRUPO 3 - NOTURNO
Recursos textuais: Coesão e Coerência
"Ah, comigo o mundo vai modificar-se. Não gosto do mundo como ele é."
Carolina Maria de Jesus
A mulher negra está na base da sociedade brasileira. Muitas vezes, mães solteiras, não têm auxílio familiar e do Estado, com poucas oportunidades no mercado de trabalho, com profissões como empregadas, faxineiras, autônomas, vendedoras entre tantas outras, dignas, vale ressaltar. Trabalham duro para a sustentação de filhos ou de si mesmas. Mulheres que conseguem seguir a profissão de escritora e se sustentam por meio disso, são símbolos de resistência, visto toda essa complexidade histórico-social da formação do povo brasileiro.
Úrsula foi a primeira afrodescendente a ser publicada em 1859, por Maria Firmina dos Reis, um romance entre a menina, que vive com a mãe acamada, e Tancredo, outro protagonista, surge ainda Fernando que também se apaixona por Úrsula, criando assim um triângulo amoroso. A história conta ainda com mais dois personagens importantes, Túlio e Susana, dois escravos que trabalham na fazenda de Úrsula, onde se passa a trama. Além desse, a escritora e professora afrodescendente também faz diversas publicações em jornais do período, com poemas e contos.
Algumas outras escritoras e suas obras:
Djamila Ribeiro, livro Pequeno manual antirracista.
Conceição Evarista, livro Becos da memória.
Carolina Maria de Jesus, livro Quarto de despejo: Diário de uma favelada.
Lélia Gonzalez, livro Lugar de Negro.
Destas, podemos citar Carolina Maria de Jesus, uma das maiores escritoras nacionais. Mãe solteira, catadora de papéis e moradora da favela do Canindé em São Paulo, escreveu cerca de 20 diários relatando suas condições e experiências de vida.
Carolina de Jesus permaneceu no anonimato até 1960, ano em que houve a publicação da obra Quarto de Despejo: Diário de uma favelada. O livro marcou a representatividade, com uma autora que escreve sobre e a partir do contexto social em que vive.
A vida é igual um livro. Só depois de ter lido é que sabemos o que encerra. E nós quando estamos no fim da vida é que sabemos como a nossa vida decorreu. A minha, até aqui, tem sido preta. Preta é a minha pele. Preto é o lugar onde eu moro.
Quarto de Despejo (1960)
Sempre escrevendo a partir de suas próprias experiências, narra a discriminação racial e de classe, a falta de oportunidades. Seus escritos comentam o fosso que separa os cidadãos de um mesmo país, dependendo da cor da sua pele e do local onde nasceram.
Adeus! Adeus, eu vou morrer!
E deixo esses versos ao meu país
Se é que temos o direito de renascer
Quero um lugar, onde o preto é feliz.
Trecho do poema "Muitas fugiam ao me ver"
A literatura carrega em sua história a produção de obras escritas por homens, em sua grande maioria, homens brancos. Geralmente representado, se representado, com base na visão de escritores brancos, para branco ler, não havendo por muitas vezes veracidade do que realmente acontece. Escritores negros e escritoras negras vêm rompendo esta linearidade de escritores brancos, trazendo a identidade negra, de sua própria visão, de onde foi inserido socialmente devido às circunstâncias sociais com passado escravagista que possui cicatrizes enormes ainda não curadas.
Referências:
CARVALHO, Jéssica Catharine Barbosa De; ALVES, Alcione Corrêa. Uma vida de inadequações: Maria Firmina dos Reis e seu caráter subversivo na sociedade oitocentista maranhense. Disponível em: < https://revistas.ufpi.br/index.php/contraponto/rticle/view/3790/2192 > Acessado em: 25 out.2021.
LITERAFRO, o portal da literatura afro-brasileira. Disponível em: < www.letras.ufmg.br/literafro/ensaistas/1204/lelia-gonzalez >. Acesso em 25 out. 2021.
MARIA DE JESUS, Carolina. Quarto de Despejo: Diário de uma favelada. Editora Francisco Alves, 1960.
PENA, Rodolfo. Favelização. Mundo Educação UOL. Disponível em: < https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/favelizacao.htm >. Acessado em: 22 out. 2021
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