GRUPO 1 - MATUTINO - O Modernismo e as mudanças estéticas e temáticas na Literatura Brasileira.
O termo contemporâneo é, por natureza, elástico e costuma trair a geração de quem o emprega. Por isso, é boa praxe dos historiadores justificar as datas com que balizam o tempo, frisando a importância dos eventos que a elas se acham ligadas.
Alfredo Bosi, História Concisa da Literatura Brasileira
O Modernismo foi uma época marcada por transformações radicais, além da sensação de fragmentação da realidade. Os artistas modernistas sentiam a necessidade de mudar o meio em que viviam e de experimentar novos conceitos. O Modernismo é dividido em:
Primeira, Segunda e Terceira fase do Modernismo
A primeira fase do Modernismo, também conhecida como "fase heroica", no Brasil começa na Semana de Arte Moderna. Mesmo antes, as ideias modernistas já circulavam o país. Além disso, no início, havia o desejo de usar a arte para representar a realidade brasileira. Com o tempo, os modernistas se libertaram até mesmo desta obrigação. O Modernismo veio com o objetivo de romper com as expressões artísticas tradicionais, já que, aos olhos de toda uma geração de artistas e intelectuais, o Brasil era uma jovem república em busca de sua identidade. E, para eles, era necessário encontrar a essência de uma arte genuinamente brasileira.
[...] a “fase heroica” do Modernismo foi especialmente rica de aventuras experimentais tanto no terreno poético como no da ficção. São aventuras que se inserem na complexa história das invenções formais da literatura europeia a partir de Mallarmé, Rimbaud e Laforgue desaguando no fecundo período pós-simbolista com Apollinaire, Valéry, Max Jacob, Cocteau, Marinetti e os demais futuristas italianos, Ungaretti, Klebnikov, Maiakóvski, Gertrud Stein, Joyce, Pound, Pessoa, responsáveis por uma reestruturação radical no modo de conceber o texto literário (288) . Para todos, além da função expressiva, o texto tem um momento formativo no qual o escritor se empenha inteiramente na palavra, no ritmo e nos vários traços de linguagem que, afinal, dão à poesia o caráter de poesia.
Alfredo Bosi, História Concisa da Literatura Brasileira
A Semana de Arte Moderna foi uma manifestação artística e cultural que ocorreu no Theatro Municipal de São Paulo entre os dias 11 a 18 de fevereiro de 1922. Esse evento reuniu diversas apresentações de dança, música, recital de poesias, exposição de pinturas e esculturas e palestras.
Os artistas organizadores exibiam uma nova visão de arte, a partir de uma estética inovadora inspirada nas Vanguardas Europeias. Juntos, eles queriam uma renovação social e artística no país.
O evento chocou grande parte da população e trouxe à tona uma nova visão sobre os processos artísticos, bem como a exibição de uma arte “mais brasileira”. Houve um rompimento com a arte acadêmica, começando assim, uma revolução estética e o Movimento Modernista no Brasil.
Entre os principais representantes, artistas plásticos, músicos e escritores da Semana de Arte Moderna, podemos citar Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Brecheret, Tarsila do Amaral, Villa-Lobos e, claro, Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Guilherme de Almeida, entre outros.
Citando Alfredo Bosi:
"A Semana foi, ao mesmo tempo o ponto de encontro de várias têndencias que desde a I Guerra se vinham firmando em São Paulo e no Rio, e a plataforma que permitiu a consoliação de grupos, a publicação de livros, revistas e manifestos, numa palavra, o seu desdobrar-se em viva realidade cultural. "
Chamado de "geração de 30", a segunda fase do modernismo no Brasil foi marcado por vários acontecimentos que teve grande influência nas obras dos autores naquela época. Com a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque de 1929, no Brasil onde o café brasileiro teve um forte impacto sobre o mercado exterior que levou a uma forte queda, estava acontecendo um golpe de estado, a queda do atual presidente brasileiro daquela época Washington Luís e o início da era Vargas. O país estava com desemprego em alta, fome e miséria, pessoas estavam sofrendo e isso fez com que os autores daquela época através de suas obras denunciassem e conscientizassem a população.
[...]As décadas de 30 e de 40 vieram ensinar muitas coisas úteis aos nossos intelectuais. Por exemplo, que o tenentismo liberal e a política getuliana só em parte aboliram o velho mundo, pois compuseram-se aos poucos com as oligarquias regionais, rebatizando antigas estruturas partidárias, embora acenassem com lemas patrióticos ou populares para o crescente operariado e as crescentes classes médias. Que a “aristocracia” do café, patrocinadora da Semana, tão atingida em 29, iria conviver muito bem com a nova burguesia industrial dos centros urbanos, deixando para trás como casos psicológicos os desfrutadores literários da crise. Enfim, que o peso da tradição não se remove nem se abala com fórmulas mais ou menos anárquicas nem com regressões literárias ao Inconsciente, mas pela vivência sofrida e lúcida das tensões que compõem as estruturas materiais e morais do grupo em que se vive. Essa compreensão viril dos velhos e novos problemas estaria reservada aos escritores que amadureceram depois de 1930[...]
Alfredo Bosi, História Concisa da Literatura Brasileira
A segunda fase modernista aconteceu nos anos de 1930 à 1945 e foi composta por nomes como Oswald de Andrade, Mário de Andrade, José Américo de Almeida, entre outros. As características de suas obras foram influenciadas pelo realismo e naturalismo, valorização da cultura brasileira, problemas sociais que vinham acontecendo no país e tinha uma linguagem coloquial e regional.
Bem diferente do que foi a primeira fase, os obras da prosa eram compostas por vivências de pessoas em estado de miséria, fome e desemprego e era possível enxergar a relação dessas obras com a situação em que estava o país, assim como é representado na obra de Graciliano Ramos, o seu romance Vidas Secas que retrata a vida do sertanejo em situação de miséria, a seca do nordeste e os problemas com o desemprego.
Já nas obras de poesia de autores como Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles e Vinicius de Moraes, o tema já era mais puxado para o lado da virtude da racionalidade, sentimento humano, questionamento da existência humana e um amadurecimento em relação a primeira fase.
Também chamada "Geração de 45", a última fase modernista começa em 1945 e se estende até 1980. Nesse período, o Brasil e o mundo estão numa fase menos conturbada, com o final da Segunda Guerra Mundial e o começo do processo de redemocratização do país após a ditadura.
Nesta fase a prosa dá sequência às três tendências observadas na Segunda Fase, que são: a prosa urbana, intimista e regionalista, com certa renovação formal. A poesia desse período conta com os poetas que apareceram na fase anterior, afinal eles continuam em constante renovação. Foi criado um grupo de escritores que se autodenominaram de “Geração 45”, seus membros procuravam por uma poesia equilibrada e séria, sendo até chamados pelas outras pessoas de neoparnasianos.
Por causa da grande diferença com o padrão estético inaugurado por nomes como Mário e Oswald de Andrade e Manuel Bandeira — a tríade do Modernismo de 1922 —, muitos críticos literários consideram a terceira geração como pós-modernista, em que se percebe um rigor formal distante do proposto pelos iniciadores do movimento.
Na prosa, especialmente nos gêneros conto e romance, escritoras como Clarice Lispector e Lygia Fagundes Telles aprofundaram a análise psicológica das personagens e introduziram inovações nas técnicas narrativas, quebrando a regularidade e a estrutura narrativa de “começo, meio e fim”. Escritores, como Guimarães Rosa e Mário Palmério, se dedicaram ao regionalismo, estética muito desenvolvida nos anos 30, a melhorando.
Os nomes de maior expressão da terceira geração modernista são: João Cabral de Melo Neto (1920-1999), Clarice Lispector (1920-1977), João Guimarães Rosa (1908-1967), Ariano Suassuna (1927-2014), Lygia Fagundes Telles (1923) e Mário Quintana (1906-1994).
Referências:
BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. São Paulo: Ed. Cultrix, 1970. 50ª. Edição, 2015..
Beduka. Modernismo Completo .Beduka, 2019. Disponível em: https://beduka.com/blog/materias/literatura/resumo-do-modernismo/. Acesso em: 22 de outubro de 2021.
Explicaê. PRINCIPAIS PONTOS SOBRE A SEGUNDA FASE DO MODERNISMO. Explicaê, 2021. Disponível em: https://blog.explicae.com.br/enem/principais-pontos-sobre-a-segunda-fase-do-modernismo. Acesso em: 22 de outubro de 2021.
PEREZ, Luana Castro Alves. "Terceira geração modernista"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/a-literatura-contemporaneageracao-45.htm. Acesso em 23 de outubro de 2021.



Grupo 7: Júlia Vitória, Maria Eduarda, Miandra Nascimento, Taíse Lima
ResponderExcluirO trabalho foi muito bem colocado sobre o Modernismo e suas fases, que assim como toda escola literária destaca bem as suas características e o contexto em que se passa. No Brasil, foi especialmente importante, pois trazia um renovo na arte em geral, valorizando mais as raízes brasileiras. Trouxe obras riquíssimas retratando o brasileiro não de forma romântica nem naturalista mas buscando uma observação da realidade. E os escritores e artistas sempre se reinventando, se encaixando nas diferentes fases. O que influenciou e contínua influenciando diversos artistas. O modernismo e pós - modernismo não limita os artistas a uma escola literária mas faz com que eles busquem se expressar da maneira que os satisfaz. Como o modernista Di Cavalcanti disse sobre a Semana de Arte Moderna: "seria uma semana de escândalos literários e artísticos, de meter os estribos na barriga da burguesiazinha Paulista". O Modernismo não tinha mais uma grande preocupação de agradar a elite brasileira mas de expressar um Brasil verdadeiro, seus problemas e seu povo.