GRUPO 7 - MATUTINO
Recursos Textuais: Coesão e Coerência; Clareza e Adequação.
ESCRITORAS NEGRAS E A REPRESENTATIVIDADE NA LITERATURA
"O meu texto é um lugar onde as mulheres se sentem em casa."
(Conceição Evaristo)
A importância que ela trouxe para o mundo da literatura brasileira, pode não ter tido grande significado em sua época, não obstante trouxe um símbolo e uma luta para as gerações futuras ao denunciar como funcionava a sociedade escravista.
E é nessa efervescência das discussões e reflexões abolicionistas que Maria Firmina dos Reis escreve um romance ficcional, diferenciando-se de escritos de outras mulheres e homens de sua época, representando em sua escrita os escravos africanos e lhes entregando a pena e não os tendo como objeto de compaixão ou como representação do bom selvagem negro em relação ao modelo da literatura indianista. QUADROS, 2018, p. 29
Ao consumir literatura pela perspectiva de escritoras negras podemos acompanhar a humanização dos escravos, a luta de seus descendentes, a realidade do Brasil pós abolição que não é nada do que se esperava, quando os negros são realocados à margem da sociedade e assim continuam muitos até a atualidade.
Neste estudo, o objetivo é dar importância necessária a história de vida de Maria Firmina dos Reis, Maria Carolina de Jesus e Conceição Evaristo, que são exemplos de autoras que apresentam essa realidade a partir de suas obras.
Maria Firmina dos Reis
Nasceu no Maranhão em 1822, filha de uma escrava, que teve de se tornar autodidata para estudar. Tornou-se professora após passar em concurso público, no ano de 1847. Foi responsável pela criação da primeira escola mista.
Suas obras que pertencem ao Romantismo, foram escritas com um pseudônimo de uma maranhense, publicou Úrsula (1859), Gupeva (1861), romance indianista, Cantos à Beira-mar (1871), livro de poemas e A Escrava (1887). Foi uma forte presença no seu tempo mas após sua morte foi temporariamente esquecida até 1970.
Mas pela primeira vez na literatura brasileira trouxe voz aos seus personagens negros, com o um ponto de vista destes personagens, mostrando as suas dores e alegrias. No livro Úrsula, em um trecho Maria Firmina relata a trajetória dos negros escravizados nos navios sob o ponto de vista de um dos seus personagens.
"(…) Davam-nos água imunda, podre e dada com mesquinhez, a comida má e ainda mais porca: vimos morrer ao nosso lado muitos companheiros à falta de ar, de alimento e de água. É horrível lembrar que criaturas humanas tratem a seus semelhantes assim e que não lhes doa a consciência de levá-los à sepultura asfixiados e famintos!" (1959, URSULA)
O relato é forte, mas real. As condições horríveis em que essas pessoas viviam tanto nos navios como quando chegavam aqui não poderiam ser colocadas como humanas, e como no final do trecho fala é horrível que seres que se diziam homens civilizados sejam capazes de algo tão monstruoso.
Carolina Maria de Jesus
Carolina Maria de Jesus nasceu em Sacramento, Minas Gerais em 1914foi uma ilustre escritora brasileira, negra, catadora e favelada. Com pouco estudo e recursos, redigiu obras a partir da perspectiva da mulher afro-brasileira e periférica no século passado. Além de poetisa, redigiu valiosos diários que abordam de forma visceral e empírica a representação da mulher negra, as relações de desigualdade de raça e classe e inspiram luta e resistência, uma vez que ela pondera sobre a forma que a cor da sua pele prejudica as suas possibilidades e horizontes.
Escrevo a miséria e a vida infausta dos favelados. Eu era revoltada, não acreditava em ninguém. Odiava os políticos e os patrões, porque o meu sonho era escrever e o pobre não pode ter ideal nobre. Eu sabia que ia angariar inimigos, porque ninguém está habituado a esse tipo de literatura. Seja o que Deus quiser. Eu escrevi a realidade. JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: Diário de uma favelada. Edição Popular, 1963.
Nessa época, o Brasil levava fortes indícios de resquícios do período escravagista, fator que afetou diretamente a vivência da família, e consequentemente, a da autora.
Maria da Conceição Evaristo
Nasceu em Belo Horizonte em 1946, migrou para o Rio de Janeiro em 1970, onde graduou em Letras pela UERJ, fez seu mestrado em Literatura Brasileira pela PUC e realizou seu doutorado em Literatura Comparada na Universidade Federal Fluminense, sempre introduzindo temas afro-brasileiros em suas teses. Estreou na literatura em 1990, publicando contos e poemas na série Cadernos Negros. Trabalhando entrelaçando passado e presente, a realidade das favelas, das mulheres faveladas e o universo das relações de gênero num contexto social marcado pelo racismo e pelo sexismo.
A voz de minha mãeecoou baixinho revoltano fundo das cozinhas alheiasdebaixo das trouxasroupagens sujas dos brancospelo caminho empoeiradorumo à favelaA minha voz aindaecoa versos perplexoscom rimas de sangue e fome.
Poemas de recordação e outros movimentos, p. 10-11
GRUPO 3 Noturno (Sarah, Jaqueline, Michel e Caio).
ResponderExcluirÓtima abordagem acerca das escritoras negras em nosso país. As obras de mulheres negras brasileiras enriquecem e nos ajudam a entender as questões sociorracias por elas vividas. Ler e estudar literatura escrita por mulheres negras é de fato importante no apontamento de toda invisibilidade do passado histórico sofrido por elas. A escritora brasileira Sônia Fátima da Conceição em seu poema "Passado Histórico" aborda esse tema.
vnvncvnc
ResponderExcluirGRUPO 5 - MATUTINO (Renata Verissimo, Ana Luiza Galvão, Ana Beatriz de Sousa, Leticia Santos, Ana Virna)
ResponderExcluirOlá, pessoal. Agradecemos pelas reflexões que o texto nos trouxe sobre a importância dessa representatividade de escritoras negras na literatura. Em Úrsula como vocês citaram, é bem retratado as mazelas da escravidão, é um livro onde Maria Firmina praticamente criou um gênero quase desconhecido naquela época no país, o gênero da literatura abolicionista. É importante desde já conhecermos nossas raízes e essas escritoras mostram em suas escritas a realidade de um país que nem todos enxergam, a presença dessas escritoras é incontestável em nossa literatura, mas é lamentável que até hoje muitas dessas escritoras ainda não tiveram seu devido reconhecimento, em uma sociedade ainda racista é de suma importância trazer essa temática acerca dessas escritoras que são sem dúvida uma revolução literária.