GRUPO 6 - MATUTINO


 

Grupo 6

Victor Gabriel, Ana Beatriz Santos, Letícia Emanuele e Jhefferson Josafá.

 


Recursos Textuais: 

Tema proposto: Escritoras negras e representatividade na leitura


   A vida é igual um livro. Só depois de ter lido é que sabemos o que encerra. E nós quando estamos no fim da vida é que sabemos como a nossa vida decorreu. A minha, até aqui, tem sido preta. Preta é a minha pele. Preto é o lugar onde eu moro.


                                                                                                                       Carolina Maria de Jesus, Quarto
de despejo 

 


 

A literatura negra é a produção em que o sujeito da escrita é o próprio negro. A literatura negra é a cultura, a vivência e o ponto de vista retratados na narrativa. Ela surgiu como uma forma de expressão, uma afronta à elite branca que os discriminavam e que dominaram e invadiram seus países, e também os que receberam as imigrações forçadas do tráfico negreiro, como no caso do Brasil. 

A literatura brasileira vista como "oficial" ou "clássica", reflete um paradigma da dominação cultural branca, é escrita pela elite branca retratando personagens brancos. Com isso, era raro aparecer personagens negros e, quando apareciam, era sempre esteriotipda: a mulher negra hiperaexualizada, o homem negro marginalizado etc.

Com isso, vamos falar sobre a importância da representatividade negra na literatura e, principalmente, sobre as mulheres negras, que são vistas como a base da pirâmide social. 



A mulher no Brasil teve por muito tempo, falta de voz. Temas como a escravidão foi por muito tempo, um tabu dentro na sociedade. Com isso, mulheres negras, como Maria Firmina, Neide Almeida, Carolina Maria, Bianca Santana, entre outras, trouxe essa voz as mulheres negras, sobre sua própria história, sobre suas tragédias, suas culturas e o ponto de vista da cor preta, sobre seus quase 500 anos de escravidão, o abolicionismo, o preconceito e o racismo, que se propaga até os tempos mais atuais, através da ignorância das pessoas pela redes sócias. Porém, através dessas autoras, muitos indivíduos criou consciência do tema, trazendo respeito e igualdade, fortalecendo a luta dos direitos das pessoas negras, em relação a esses infelizes 500 anos obscuros.


Maria Firmina dos Reis (1822-1917) 

Considerada como pioneira na temática antiescravista dentro da literatura brasileira e uma das maiores escritoras de poemas/ romance do Brasil, Maria nasceu em São Luis e postou sua primeira obra, Úrsula, no jornal de sua cidade. Ela usou a literatura como uma ferramenta para criticas socais, ao qual ganhou destaque por ser negra e mulher, e trazer a seus personagens personalidade, história e humanização dos escravos. Exaltada por professores e tutores da área da literatura, suas obras tiveram comentários positivos que fortalecem o ponto de vista da escritora. 

"Em sua literatura, os escravos são nobres e generosos. Estão em pé de igualdade com os brancos e quando a autora dá voz a eles, deixa que eles mesmo contem suas histórias. O que já é um salto imenso em relação a outros textos abolicionistas"  Professora Régia Agostinho - Univerdade do Maranhão.

Carolina Maria de Jesus (1914 - 1977)

Uma das primeiras e mais importantes escritoras negras, escreveu cerca de 20 diários onde contava situações do seu cotidiano. Mãe solteira e catadora de lixo que cursou ate o segundo ano do Ensino Médio, morava em Canindé, São Paulo, quando foi descoberta por um jornalista.

Em 1960 seu livro Quarto de Despejo: Diário de uma favelada foi publicado, livro no qual a escritora relata a situação marginalizada em que vivia, mulher periférica, pobre, que trabalhava e lutava pela sobrevivência, escreveu também poemas que denunciavam as injustiças e desigualdades sociais a que estava sujeita.  Escrevia sempre as próprias experiências, narrava a discriminação racial e de classe e também a falta de oportunidades. Seus poemas falam o abismo que separa os cidadãos de um mesmo país, dependendo da cor da sua pele e do local onde nasceram.


Não digam que fui rebotalho,
que vivi à margem da vida.
Digam que eu procurava trabalho,
mas fui sempre preterida.
Digam ao povo brasileiro
que meu sonho era ser escritora,
mas eu não tinha dinheiro
para pagar uma editora.

Folha da Noite (1958)

Neide Almeida (1926 — 2002)

Além de ser considerada um símbolo de representatividade de uma mulher negra dentro da sociedade e uma escritora da atualidade, Neide é pesquisadora, socióloga, tem mestrado em Linguística Aplicada ao Ensino(PUC-SP) e curso pós-Gestão Cultural Contemporânea.

Em 2017, escreveu seu primeiro livro de poemas, Nós-20 Poemas e Uma Oferenda, onde retrata uma escritora madura do século 21, que explora temáticas mais contemporâneos.

"Da perspectiva da mulher negra, esse fato traz certa legitimidade. A mulher negra, que está na base das pirâmides sociais, é a mais estigmatizada, vê-se em situações de vulnerabilidade, em tantos sentidos, também deve ser vista como alguém que produz conhecimento e saberes – que, aliás, são tão importante quanto todos os outros e que não devem ser restritos apenas a ela e “suas iguais”. É um conhecimento universal." 


Conceição Evaristo (1946)

Conceição Evaristo é uma das maiores autoras nacionais afro-brasileiras, que nasceu em 1946. Ela é membro da Academia Brasileira de Letras. Militante dos movimentos sociais, ela mostra na suas obras marcas da discriminação racial, gênero e classe, onde ela chama a atenção para a situação vulnerável e opressora das mulheres negras. Conceição também questiona a falta de representatividade negra na literatura brasileira, valoriza a cultura negra e questiona sobre o preconceito presente nela e na cabeça dos brasileiros. 

Uma de suas maiores obras é Ponciá Vicêncio (2003) , onde acompanha o percurso de vida da protagonista, que é descendente de escravos, e que sai do meio rural e vai até à periferia urbana. Essa narrativa faz reflexões sobre o presente e o passado, deixando evidente uma herança de exclusão e marginalização. 

A literatura de Conceição Evaristo é sinônimo de representatividade, já que através dela uma mulher negra reflete sobre a sua condição social e as lutas inerentes que trava.


Djamila Ribeiro (1980)

Djamila Ribeiro nasceu em 1980 e é uma grande ativista brasileira, escritora, filósofa e uma voz importante defesa aos negros e as mulheres. Ela começou a se tornar notória por causa das suas contribuições para os movimentos sociais que lutam pelos direitos das mulheres e das pessoas negras. Ela denuncia uma realidade brasileira cruel que muitas vezes passa despercebida e é naturalizada e também fala sobre  o racismo estrutural, que é herança dos tempos da escravidão e que condena, até os dias de hoje, a população negra a um determinado lugar social, com piores índices de desenvolvimento humano e fora dos espaços de poder. Seu trabalho começou a ser divulgado na internet, através de publicações de texto em várias plataformas.

“Minha luta diária é para ser reconhecida como sujeito, impor minha existência numa sociedade que insiste em negá-la.”

No seu primeiro livro, O que é lugar de fala? (2017), Djamila chama a atenção para o silenciamento em que algumas camadas da sociedade estão submetidas. Ela defende a necessidade de múltiplas vozes e histórias na nossa cultura. A obra questiona quem pode falar na sociedade, quem tem direito à voz, à existência. Ao mesmo tempo que a visão do homem branco é encarada como universal, diversas identidades continuam sendo desprezadas para o lugar do "outro".

“Como negra, não quero mais ser objeto de estudo, e sim o sujeito da pesquisa.”






















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