GRUPO 4 - MATUTINO

 

Grupo 4

Caio Almeida, Isabela Zinn, Anna Beatriz Pereira e Letícia Santana. 

Recursos Textuais: Coesão e coerência; aceitabilidade. Tema proposto: Escritoras negras e representatividade na literatura. 

  ''Eu sei que o mundo está machucado e sangrando, e embora seja importante não ignorar sua dor, também é crítico se recusar a sucumbir à sua malevolência. Como o fracasso, o caos contém informações que podem levar ao conhecimento e até à sabedoria. Assim como arte.'' 
Tori Morrison 


Desigualdade histórica 

                       


      Antes de se pensar em literatura, é necessário fazer uma reflexão sobre a história e o processo de escravização do povo negro. Liberdade, educação e direito foram vocábulos que os negros não puderam incorporar ao seu léxico por muitos anos, por decorrência de um processo escravocrata branco, patriarcal e cruel que deixa até hoje marcas dolorosas e uma irreparável dívida histórica.   

    Por consequência desse sistema, no Brasil, os negros foram marginalizados e isolados em grandes morros, mais conhecidos como favelas. E foi em uma favela que uma escritora negra revolucionou o retrato de mulheres faveladas, com o seu poderoso relato e sua escrita tão singular, Carolina Maria de Jesus impactou seus leitores com seu livro "Quarto de despejo", onde ela narra suas inacreditáveis dificuldades e superações, mostrando a realidade de uma mulher negra, sem estudos e favelada.


Além de mulheres, negras!



    Desde os primórdios do que se entende por sociedade e cultura, a mulher SEMPRE foi vítima da desvalorização, da erotização e da destituição dos espaços públicos e educacionais, tanto que as mulheres brasileiras só foram ter acesso ao voto em 1891, ou seja, a entrada de mulheres nos espaços ''mais importantes" é muito escasso e desigual até mesmo na atualidade.    
    
    Com o passar do tempo, as mulheres foram conquistando seu espaço e trazendo uma narrativa e uma vivência muito distinta dos homens, resultando em uma grande desconstrução e em uma massiva ressignificação da cultura mundial, por exemplo: na figura da mulher na indústria cinematográfica, autoras ganhando prêmios de literatura, de música, dentre tantos outros exemplos, onde a mulher foi revolucionária.
    
   E além de mulheres, as negras tiveram sua inserção dentro dos contextos acadêmicos, culturais e sociais supreendentemente mais tardia. Essa dificuldade se deve ao fato de que as mulheres negras sempre foram apagadas, oprimidas, silenciadas e destituídas do universo da liberdade e das oportunidades, assim, impossibilitando ainda mais a entrada de mulheres negras em inúmeros espaços.

Mulheres negras x Literatura 

   
       
       A literatura sempre foi uma arte muito elitista, desde sua criação quem sempre obteve os maiores prestígios foram os homens brancos. Com o tempo, sobretudo os últimos anos, os campos das artes e dos saberes foram se desconstruindo e reestruturando.

    As mulheres negras começaram a ter visibilidade em 1750, porque Phillis Wheatley, uma mulher negra e americana, foi a primeira a publicar um livro e rompendo paradigmas na literatura, como um todo.


Autoras negras para se conhecer


    Toni Morrison


    Phillis Wheatley
   

    Carolina Maria de Jesus



Referências bilbliográficas

Lara, Silvia Hunold. Fragmentos setecentistas. Escravidão, cultura e poder na América portuguersa. São Paulo: Companhia de Letras, 2007. 430p

http://centrocultural.sp.gov.br/2020/03/05/literatura-produzida-por-mulheres/

https://www.cecult.ifch.unicamp.br/pf-cecult/public-files/publicacoes/102/fragmentos-nelson-mendes.pdf

Jesus, Carolina Maria de. Quarto de despejo - diário de uma favelada. São Paulo: Francisco Alves, 1960


Comentários

  1. De fato, e devo acrescentar que, a essência política sempre esteve presente na literatura, muito exposta até mesmo nas posições que os personagens encontravam-se. Percebe-se que é muito problemático para a história do Brasil o esquecimento de autores e autoras afrodescendentes. É preciso entender que a posição do negro na literatura ao longo dos últimos séculos encontrou-se muito mais como tema do que na posição de autoria. Pessoas brancas retratam os negros e dão margem a estereótipos que colocam a população afrodescendente em papéis simples e definidos que se estabelecem no imaginário social. Machismo, intolerância religiosa, sexualização e primitivismo são alguns dos conteúdos principais que transpõem os retratos dos negros na literatura.

    A memória brasileira parece estar perdida, a alienação da população branca traz concepção errônea quanto ao entendimento do que é ser negro no Brasil, além de servir como validação dos seus privilégios. O mais apropriado seria escutar a história diretamente do ponto de vista dos próprios sujeitos da vivência.

    Algo para refletirmos é: quantas obras conhecemos ou ouvimos falar da primeira escritora negra do Brasil, Maria Firmina dos Reis, e quantas conhecemos ou ouvimos falar de Monteiro Lobato? É um grande escritor, sim, contudo, retrata no Pica-pau Amarelo, por exemplo, a personagem Tia Anastácia como a ignorante, assustada, que acredita em “mitos” e que tem seu espaço cênico determinado: a cozinha.

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  2. Grupo 1 - Noturno - Brenno, Elcio, Fernanda, Luciana e Wagner.


    Parabéns ao grupo e pela reflexão que nos trouxe. A história brasileira tem raízes patriarcais e isso reflete diretamente no papel social que é dado às mulheres desde sempre, e na literatura não seria diferente. Falar de mulheres escritoras já é pauta demasiadamente complexa; falar de mulheres negras escritoras constitui um assunto ainda mais profundo.
    Complementando o texto acima, é imperioso falar do fato de que muitas mulheres escritoras adotaram pseudônimos para assinar suas obras pelo fato de possivelmente não alcançarem os espaços e oportunidades desejadas caso revelassem suas verdadeiras identidades. Exemplo relativamente atual disso é J. K. Rowling, autora da conhecida saga Harry Potter, que escondeu seu primeiro nome Joanne para que a ambiguidade da abreviação facilitasse que seus livros pudessem também ser lidos por meninos.
    Da mesma forma, tratando de escritoras negras mais especificamente, temos o exemplo de Maria Firmina dos Reis, considerada a primeira romancista brasileira. Ela é autora do romance "Úrsula", obra precursora da temática abolicionista na literatura brasileira, escrita em 1859 e que leva consigo o pseudônimo "uma maranhense". Maria Firmina foi uma mulher negra que viveu em uma época marcada pela escravidão e pelo patriarcalismo, onde havia uma uma elite de escritores brancos predominantemente do gênero masculino e como muitas outras, teve sua obra invisibilizada por muito tempo devido ao machismo e racismo tão enraizados até hoje.

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  3. Quando pensamos em literatura, logo vem à cabeça nomes como: Machado de Assis, José de Alencar, Jorge Amado e Carlos Drummond de Andrade e entre outros mas poucos se lembram de quem foi a primeira escritora negra brasileira entre outras que tiveram suas vozes silenciadas, excluídas ou subjugadas pelos padrões machistas impostos pelos homens.
    Analisando suas obras podemos ver que elas não eram heroínas ou protagonistas de suas histórias mas, como já citado, fazem uma crítica a difícil vida da mulher negra e pobre em meio a sociedade, reflexo esse que podemos ver ainda nos dias de hoje.


    Conceição Evaristo criou um termo para sua literatura, comprometida com a condição de mulher negra em uma sociedade marcada pelo preconceito: Escrevivência. O termo aponta para uma dupla dimensão: é a vida que se escreve na vivência de cada pessoa, assim como cada um escreve o mundo que enfrenta. E, lendo suas obras, vemos a vida real de uma mulher que lutou para conquistar o que, em razão do preconceito, custou muito, exatamente para dar destaque aos sentimentos de toda ordem que atravessam a condição de ser afrodescendente no País em que moramos.

    É na literatura que essa mulheres conseguiram se libertar de alguma forma de marcas deixada em sua alma, em suas vidas por anos de discriminação e preconceitos social e humilhação sentidas em seus âmagos, deixando seus legados assim para que nós, a futura geração, ficarmos cientes da dura realidade da vida de uma mulher e negras. Assim, é no espaço literário que elas atuam para lutar e garantir a igualdade de classe, gênero e raça.

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